Monday, 25 March 2013
Hematomas
Peguei um onibus diferente pra voltar pra casa hoje. Passou um pouco antes do que eu costumo pegar, estava cansada, queria chegar em casa logo, perguntei pro motorista se passava lá perto e ele disse que sim. Era um pouco mais distante do ponto que eu normalmente descia, mas perto o suficiente pra andar pouquinho.
Desci no ponto, e atravessei a rua. Achei que era uma rua de uma mão só, então só olhei pra direita e atravessei num passo apressado.
Nisso, uma luz forte e um guinchado alto surgem, e um carro para a uns 20 cm de mim. Dei um pulo, parecia uma gazela, e meu coração acelerou a mil. O motorista não buzinou, nem nada. Parecia estar tão chocado quanto eu. E seguiu sua rota.
Parei um pouco e recuperei minha respiração. E comecei a andar pra casa, pensando: E se aquele carro tivesse batido em mim?
E se eu fosse atropelada? O que aconteceria?
Eu não quero morrer, claro, ninguém quer. Mas a ideia de ser atropelada, de, não sei, sumir por um tempinho.
Não no sentido de sumir pra sempre, de novo pessoal, não quero me matar.
Mas a ideia de passar um tempo afastada, longe, quem sabe, de recuperação num hospital. Só uns dias, um braço quebrado, um hematoma enorme, um tempo longe de tudo, com uma desculpa plausível.
"Estava machucada, braço quebrado, perna estilhaçada."
Agora "estava machucada, coração quebrado, mente estilhaçada" não é plausível. Você não merece um tempo afastada por esses sintomas.
E é isso que eu quero no momento.
Acho que a dor física está tão sedutora agora, porque acho que deve doer menos que esse hematoma mental que parece só aumentar.
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